![]() 23/02/2010 Mas, sem dúvida, deu condições para que se possam cobrar resultados ainda no seu mandato. E isso é um avanço.Pode-se dizer, portanto, que o prefeito passou o primeiro ano de governo com o farol alto, iluminando o caminho lá na frente. Mas é chegada a hora de acender o farol baixo para "enxergar" os sonhos da coletividade, simples, mas não mesquinhos: ruas iluminadas, menos tempo no trânsito, estacionamento organizado, buracos fechados, praças limpas, silêncio à noite, árvores podadas, ônibus e vans obedientes, calçadas livres, direito a prazos, recursos e respostas, respeito ao contribuinte, ao cidadão. De preferência, livrar as pessoas da tirania dos burocratas que dizem sim ou não quando querem e do jeito que lhes interessa, possuidores únicos da informação sobre regras e normas da cidade, que deveria ser de todos. É hora de demonstrar que o futuro vai nos dar um presente que vai além de ações pontuais de choque de ordem. Fazer funcionar a máquina, liderar os servidores, acabar com a sobreposição da "prefeitura comissionada e terceirizada" versus a "prefeitura estatutária", convencê-los, pelo menos, de sonhar um mesmo sonho. Não que a prefeitura esteja ausente. Há que se dar crédito à presença em reuniões de associações de moradores, de empresários, conselhos comunitários de segurança, seminários, eventos — uma novidade em relação à antiga administração, que sequer dava as caras. Mas faltam respostas efetivas a reclamações que se repetem, refletindo o descompasso entre os "gestores" de fora e os servidores de dentro. Por isso é alvissareiro o anúncio do prefeito de que, até junho, entra em funcionamento uma poderosa central de atendimento — por telefone, on-line, e presencial — para receber através do número 746 todas as demandas e reclamações dos cidadãos, hoje jogados de um lado para o outro, obrigados a falar com dezenas de superintendências, secretarias, departamentos, ouvidorias, tão educadas como ineficientes. Importante dizer que o anúncio não é um factoide para tentar livrar o prefeito do tsunami de reclamações. Trata-se de um programa estratégico, incluído no Plano Pluria-nual, com verba de quase 80 milhões a ser executado por etapas, como cabe a um projeto complexo e ambicioso, embora pareça óbvio, quando lá se vai mais de uma década da comunicação via internet. Fazer funcionar o sistema 746 requer a superação de muitos desafios. Um deles é reverter o atraso tecnológico da prefeitura do Rio, ainda na era dinossáurica; o outro remete ao que foi falado anteriormente: colocar em campo quem precisa jogar o jogo: o servidor público. O mais fácil já foi anunciado: criar nova secretaria (de manutenção) e escolher um secretário-gestor, cujo nome surpreendeu a quem acompanha a trajetória de sucesso de Carlos Osório, que troca um cargo-chave do Comitê Olímpico Brasileiro, para fazer funcionar a máquina pública, numa rara demonstração de espírito público. Se o programa E.gov funcionar, será um legado maior do que o que se anuncia para 2014, 2016 ou 2021. É que o E.gov, além de prestar o serviço a quem demanda, pode qualificar a prática política no Rio. Quando estiver em pleno funcionamento, a população terá como avaliar objetivamente a eficiência e eficácia da prefeitura e os administradores terão uma bússola para distribuir os recursos orçamentários pelas regiões da cidade, um passo importante para o orçamento participativo. Quando as pessoas perceberem que seus problemas são também os dos seus cocidadãos, moradores de outros bairros, certamente a consciência geral se elevará. Ao lado da boa idéia do lixômetro, inventado pelo prefeito para cobrar metas de limpeza dos cidadãos, os moradores poderão instalar o resolvetômetro, para a avaliar o desempenho do prefeito no atendimento às demandas de cada bairro. Acima de tudo, apostar no 746, que no teclado do telefone forma a palavra Rio, é livrar as pessoas da submissão aos gabinetes de secretários e vereadores, da necessidade do Quem Pede, da promessa de voto ou pedido de propina e das patéticas faixas de agradecimento aos vereadores pelo serviço prestado. É a emancipação da cidade. Hoje, sem a intermediação política típica da era colonial, só resta ao cidadão a sorte de ter seu problema captado pela lente de um repórter-fotográfico — o mais eficiente resolvedor das demandas do cotidiano. Taí um sonho que vale a pena ser sonhado coletivamente. ANDRÉA GOUVEA VIEIRA é vereadora (PSDB) no Rio. |


